Olhando de fora, o amor é ridículo. um pastelão colorido. um chapéu de palhaço. um tombo na frente do publico.
É sonhar que está pelado na escola. acreditar no beijo, no amasso e no abraço como a ração diária necessária à sobrevivência.
O amor é tão ridículo que a política não sabe onde guardá-lo. A universidade não sabe como abri-lo. O peito não sabe como tirá-lo.
O amor é tão patético que chega a vender kilos de manteiga por ano na porta dos cinemas.
O amor é assim tão humano, que a gente chora quando lê, quando assiste e quando sonha.
Só que na vida real - essa aí do chinelo ao lado da cama, do leite derramado na geladeira, do moleton furado na bunda - a gente se desespera:
ou foge dele quando o vive. ou passa uma vida fingindo que o conhece. Ou força a barra para que ele permaneça, quando na verdade, já foi.
Daí os casamentos fajutos, relacionamentos de plásticos, e os eternos solitários. Todos olhando feio um pro outro. E todos no mesmo barco.
O amor é tão assim sei lá...que na verdade ele nem existir existe. Uns tem certeza que é invenção burguesa. Outros o repetem tanto como um mantra alternativo que, diante dessa energia que eles mesmos convocam, ficam paralisados.
A maior parte o busca com lupa, esperando ser por ele atingido como um raio.
E por eles o amor cruza todos os dias, por todos os lados onde a lente não chega.
E eu.... eu não quero render o amor, dizendo que ele faz isso ou aquilo.
Nem quero retê-lo.
E muito menos, guardá-lo.
Que ele continue por aí ridículo, solto, destrambelhado e desastrado. Para só as pessoas realmente sem noção se aproximarem dele. Só quem não tenha medo de receber um sem nome de piadas e cem cara de risadas, que dele se aproxime.
Que o seu ridículo irracional e patético continue não cabendo no jeito, no certo, na forma. E que cada vez que essa vergonha ganhe o nome de amor por alguém que ame - naquele minuto de lucidez, em que se tenta entender a si próprio - que o amor saia correndo pela porta dos fundos como um bandido que perdeu a touca.
O que ele tem de belo é a beleza de ser aquilo que ninguém sabe, todo mundo deseja e poucos quando cruzam com ele, se permitem viver.
Ai o amor... assim pelado fica tão indecente.... tão vergonhoso.. e tão gostoso...