Eu lembro do cheiro e do gosto daquelas manhãs em Bogotá. Da
calma e do silêncio em que eu habitava. E da clausura em que eu guardava a
vontade de estar amando, não só o contexto, mas o que ligava aquela pessoa a
mim.
Eu chorei de deixar algumas lágrimas correrem em silêncio. Lágrimas tão invisíveis como as de um bicho que chora preso. Lágrimas sem nome social. Lágrimas de silêncio.
Eu chorei de deixar algumas lágrimas correrem em silêncio. Lágrimas tão invisíveis como as de um bicho que chora preso. Lágrimas sem nome social. Lágrimas de silêncio.
Lembro da lembrança desse corpo fantasma, corpo esvaziado de
sentido mas que ainda me doía. Eu lembro de tudo o que aquelas manhãs o corpo
ao meu lado, e sua leveza, e seu cheiro de cigarro e café, fez para que eu
esquecesse o corpo que vinha na memória. E ele nem sabia disso. Ele não sabe o
quanto especial foi pra mim. Eu agradeço cada manhã, cada pãozinho meia lua com
manteiga. Cada mirada pela janela, cada gole de café.
Eu lembro que não tinha pressa. Que queria os dias durando
muito. E acabavam. Três vezes de dez dias... os dias sempre acabavam. E pra
chegar até ali eram longas esperas em que o tempo corria, só para esses dez
dias de câmera lenta, câmera fria.. e cama acalentada.
Aquelas manhãs tão bonitas, como podem nunca mais voltar?
Bogotá.. Bogotá...